O reconhecimento da região
A violência tem sido motivo para inquietação especialmente na periferia dos grandes centros onde, concentra-se uma população de baixo poder aquisitivo e uma estrutura deficitária. Nesse cenário o stress causado pelo binômio falta de tempo/falta de dinheiro interfere de maneira significativa nos relacionamentos entre cuidadores[1] e crianças e cria condições propícias para os maus tratos e abusos domésticos.
A região eleita para a realização do Projeto Florescer, que trabalha na prevenção de maus tratos, foi o distrito Raposo Tavares, que apresenta um perfil típico do descrito acima: população com cerca de 100.000 pessoas, maioria migrantes, com renda média de um a dois salários mínimos por família, alto índice de sub-emprego, agravado pela baixa escolaridade dessa população.
A região tem três grandes favelas. Para esse contingente populacional existem somente três postos de saúde.
Histórico
A escolha desta circunvizinhança aconteceu quando a faculdade de Enfermagem da USP montou um estágio na creche João XXIII porque as educadoras estavam especialmente receptivas a mudanças. Durante este período a atual coordenadora do Florescer realizou um ciclo de 8 palestras para conscientização de postura, que se estendeu por quase três anos. Ao longo deste período outras creches se interessaram pela capacitação e foram aderindo ao projeto e trazendo casos de seus alunos. A Comunidade Nossa Senhora de Nazareth também foi continente e foi montada a primeira parceria: a comunidade oferecia as instalações e o Florescer entrava com os psicólogos para atender a comunidade.
O início das atividades
O Projeto começou com palestras interativas para 23 educadoras da creche João XXIII em vinte encontros. A metodologia eram palestras participativas quando o adulto percebia a criança e a si mesmo. Em 2002 a experiência foi estendida às mães da comunidade e seus “filhos hiperativos/ agressivos”, e descobrimos que a falta de opções educativas era responsável por boa parte dos maus tratos e suas conseqüências.
Hoje a capacitação abarca 75% das creches da região tendo outras escolas na fila de espera, e a das mães não para de crescer.
[1] Termo utilizado pelo Unicef que compreende pai, mãe, avó ou outro adulto que cuida da criança